A Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas e Passageiros (Coopercam/DF) paga o aluguel do trio elétrico utilizado nas manifestações
O deputado Chico Leite está de olho na utilização de recursos públicos em manifestações de apoio ao governador Arruda. Tanto que já enviou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) representação para que investigue denúncias de que servidores públicos comissionados de administrações regionais do Distrito Federal foram dispensados do serviço para comparecerem às manifestações.
Desta vez, o deputado apurou que a entidade que ajuda na organização do movimento de apoio ao governador em frente à CLDF recebeu, nos últimos três anos, R$ 70,4 milhões do GDF. A Cooperativa dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas e Passageiros (Coopercam/DF) presta serviços de transporte de passageiros para alunos da rede pública e servidores do GDF e de transporte de carga. Entre 2007 e 2008, contratada com dispensa de licitação, recebeu do governo R$ 32,1 milhões. Já em 2009, a empresa ganhou a licitação do serviço. E em nove meses, já recebeu mais R$ 38,3 milhões. As informações foram obtidas no Sistema Integrado de Gestão Governamental (SIGGO).
De acordo com o site Brasília Limpa, o movimento “Fica Arruda”, que há dias ocupa o gramado em frente à Câmara Legislativa com tendas e trio elétrico, recebe apoio da Coopercam. Sandra Madeira, uma das principais líderes do movimento, confirmou que o trio elétrico é cedido pelo sindicato dos caminhoneiros, que tem o mesmo presidente da cooperativa. O aluguel de um trio elétrico semelhante custa cerca de R$ 4 mil por dia. Com o carro de som, o grupo pró-Arruda escuta música. Quando há transmissão de reportagem de televisão, os integrantes ficam ao fundo com faixas e cartazes em prol do governador.
Segundo informações do Brasília Limpa, desde segunda-feira (25/01), o grupo permanece durante o dia em frente à rampa da Câmara Legislativa com estrutura especialmente montada para atender às necessidades dos manifestantes. Além do carro de som, contam com dois banheiros químicos e duas grandes tendas portáteis de lona.
“Já solicitamos ao Ministério Público a instauração das medidas julgadas pertinentes para a apuração dos fatos. Não podemos aceitar que recursos oriundos dos impostos pagos pela população sejam utilizados para fazer pressão política”, afirma Chico Leite.
Por: Bruno Sodré